segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A outra face

Oferecer a face esquerda, depois que a direita já se encontra dilacerada pelo agressor, é chama-lo à razão enobrecida, reintegrando-o, de imediato, no reconhecimento da perversidade que lhe é própria.
Emmanuel

Muitas vezes nos vemos em uma sucessão tão longa de trocas mútuas de agressões que não conseguimos rastrear o evento que pode ser considerado como a gota d’água. São anos de trocas de farpas, de desrespeito, de falta de tolerância e de falta de perdão que nos levam a viver em um ambiente de desarmonia e desconforto quase insuportável.

Muitas vezes as dificuldades são tantas e a certeza de que somos os que são detentores da razão é tão profunda, que chegamos mesmo a achar os ensinamentos do Cristo impraticáveis e até mesmo absurdos.

Qual seria então o ponto que pode ser usado para conseguirmos reverter estes cenários de dor prolongada para ambos os lados da contenda? Recordei-me então de uma característica comum para a grande maioria destes eventos, pelo menos esta é a impressão que tive através da conversa com vários grupos de espíritos sofredores desencarnados que se encontravam em busca de vingança e que acredito possa ser transportada para nossas relações também.

A falta de visão ampla a cerca da vida e de seus propósitos faz com que nos apeguemos a pequeninas coisas como se fossem as mais importantes da vida e, daí por diante, começamos a negligenciar tudo que está à nossa volta para conseguirmos “resolver” determinada situação.

Quantas vezes nos apegamos a uma ofensa sofrida e buscamos o pedido público de desculpas, o ressarcimento dos danos sofridos, a compensação pelo desconforto gerado e nos esquecemos completamente de nossas próprias vidas, de nossos amigos, daqueles a quem amamos? Quanta dor geramos à nossa volta durante a busca pela compensação ao mal sofrido?

O ensinamento de Emmanuel soou-me como precioso por nos convocar a ver os horizontes da vida. Convida-nos a pensar que o mundo é uma construção e que, vez por outra, precisamos romper os ciclos repetitivos de agressão e sinalizarmos para a outra parte que há uma forma diferente de agir e que esta forma pode ser muito mais agradável e confortável para ambos os lados.

Vera Simões, a tia Vera, fundadora da Casa Espírita Cristã Maria de Nazaré na Zona Sul do Rio de Janeiro dizia que devemos buscar ser a estação terminal do mal; ou seja, devemos nos esforçar por receber o mal e garantir que ele não se propague. É outra forma de nos convidar a oferecer a outra face.

Acredito que, se desejamos trabalhar pela construção de uma sociedade com menos sofrimentos, devemos nos esforçar para transformar a forma como reagimos às ofensas sofridas.

Oferecer a outra face requer visão espiritual, certeza da preponderância da bondade e da justiça que a todos conduz à plenitude e muita humildade para admitirmos que ainda temos muito a aprender na vida, mas, pelos ensinamentos dos espíritos contidos na doutrina espírita, acredito seja o caminho mais seguro para atingirmos um estado de felicidade e plenitude a que tanto aspiramos.

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A outra face de C. Guilherme Fraenkel é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Compartilhamento pela mesma licença 3.0 Unported.
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Este artigo faz parte de um conjunto de reflexões diárias que iniciou-se em 05/01/2011 a partir de um presente que ganhei em 2010, uma caixinha cheia de citações (veja o artigo "O importante não é a etiqueta" para mais detalhes)

Você poderá acompanhar todas as citações e reflexões publicadas no WebEspiritismo usando o Marcador “Reflexão diária”. A lista de Marcadores usados está disponível na coluna lateral do blog sob o título “Marcadores”

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