quinta-feira, 9 de junho de 2011

Bem-aventurança

Todo ser humano procura alcançar a Bem-aventurança satisfazendo seus desejos, mas comete o erro de deter-se no prazer; por isso seus desejos nunca terminam, e ele é arrastado para o redemoinho da dor.
Paramahansa Yogananda,
A Ciência da Religião

Misérias humanas

Divido essa reflexão com você através do Webespiritismo porque imagino que você também possa estar sofrendo como eu; preso à sua realidade material, às dificuldades do dia-a-dia, sem se dar conta de que a vida é algo muito mais amplo do que apenas ter dinheiro para consumir e pagar contas.

Passei por algumas vivências nos últimos dias que me levaram a pensar sobre a miséria humana, não sob a ótica convencional em que pessoas sofrem por não terem acesso a recursos mínimos para manterem-se vivas com dignidade e com perspectivas de crescimento, nem sob a ótica daquele que possui recursos em abundância e que, por tê-los em excesso, geralmente promove consideráveis desperdícios, degradando o ambiente e gerando dificuldades para ele mesmo e para aqueles que estão à sua volta.

Atualmente estou empregado e não posso me queixar de falta de oportunidades de trabalho. Nos últimos 10 anos nunca fiquei mais de uma semana desempregado. Sou graduado na área de informática e estou estudante em um curso de pós-graduação com a perspectiva de me capacitar melhor para atingir um patamar salarial superior que cubra minhas despesas e ofereça o mínimo de conforto para minha família. Sou pai do André Luiz e marido da Rosemary e devemos juntos várias parcelas de empréstimos tomados para superar alguns momentos difíceis que acabaram nos levando a um pequeno quitinete alugado na Rocinha. Vivemos com dificuldade e temos como maior sonho viver em paz. Trabalhamos duro, contamos com a ajuda e carinho de muitos amigos e de uma instituição religiosa que nos apoia de várias formas.

Vez por outra me sinto desanimado, cansado de lutar sem conseguir superar os desafios materiais da vida e começo a reclamar do salário, das condições de trabalho, do cansaço gerado pelo grande volume de estudo etc. Sinto-me como se fosse um miserável, incapaz de dar conta dos desafios que me são oferecidos, sempre precisando de ajuda e acabo sofrendo.

Em meio a tudo isso, conheci uma jovem com a minha idade que é uma verdadeira lutadora. Moradora em uma favela de um grande centro urbano, portadora de uma deficiência física que a dificulta conseguir emprego, mãe de 2 filhos, sem o ensino médio completo e que vive com uma renda familiar mensal de R$400,00. Seu maior desejo é conseguir um emprego de carteira assinada para conseguir aposentar-se por invalidez. Ela passa pelos mesmos desafios de sobreviver. Também sente-se desanimada e incapaz.

Tive também a oportunidade de estar em contato com um grande amigo que não via há alguns anos. Sujeito distinto, também jovem. Graduado em uma renomada universidade paulista, já fez dois cursos de pós-graduação latu sensu e está iniciando no próximo semestre um mestrado. Separou-se no início do ano de sua segunda esposa, não tem filhos e atualmente encontra-se empregado em uma grande empresa com salário considerável, mas insuficiente para atingir seu grande sonho, comprar uma fazenda na região centro-oeste e dedicar-se ao plantio de soja e criação de gado de corte. Ele também passa pelos desafios de sobreviver, também se sente desanimado e incapaz de vez em quando.

Apesar das configurações tão distintas de vida, nós três temos algo em comum. Nos sentimos desafiados, temos um certo sentimento de insatisfação com o que somos capazes de realizar e sofremos pelas dificuldades que a vida nos oferece para atingirmos nossas metas.

Parece-me que estamos todos tão presos às nossas realidades que somos incapazes de percebermos o que, de fato, ocorre à nossa volta. É como se estivéssemos atentos a determinados aspectos materiais da vida, geralmente relacionados a nós mesmos, à família e ao trabalho e simplesmente ignorássemos o restante do que está à nossa volta.

É como se o grande objetivo da vida se restringisse a um imóvel, emprego estável e conforto.

Mas a doutrina espírita nos diz que é muito mais do que isso. Estamos aqui nesta vida, uma entre as várias por que passaremos, com o objetivo de aprendermos a olhar para a vida de forma mais ampla, espiritualizada.

Estamos convidados a significar nossas existências de forma plena através do estabelecimento de relações com aqueles que estão à nossa volta. Sofremos porque estamos voltados para nós mesmos e totalmente desatentos para os que nos cercam.

Jesus nos ensinou que o caminho para a felicidade está contido na prática do amor ao próximo, conceito pregado por diversas linhas de pensamento religioso, endossada também pelo espiritismo.

Os espíritos nos ensinam através da codificação de Allan Kardec que toda a vivência material é transitória e que cumpre o objetivo de oferecer ambiente para nosso desenvolvimento intelecto-moral; desenvolvimento que nos levará a um estado de consciência diferenciado em relação a nós mesmos e ao criador e, consequentemente, a um estado de maior felicidade e de menor sofrimento.

Por tudo isso, talvez passe a definir como miséria o estado de ignorância a cerca de mim mesmo e de meu destino espiritual glorioso, que faz com que me feche em um mundinho particular e inseguro deixando de ver as possibilidades que a vida tem me oferecido para ser feliz.

Te convido a estudar mais sobre a doutrina espírita, corrente filosófica de pensamento que tem me ajudado muito a encontrar motivação para lutar pela vida e para superar os desafios que se apresentam com muita alegria e ânimo.

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sábado, 4 de junho de 2011

Caráter ou Conhecimento?

Alguns dizem que o conhecimento é valioso, mas o caráter é mais importante que o conhecimento. Pode-se ser erudito, pode-se ocupar cargos elevados de autoridade, pode-se ser muito rico ou ser um eminente cientista, mas se alguém não tem caráter, todas as outras aquisições são absolutamente inúteis. Sacrifício, amor, compaixão e paciência são as qualidades humanas genuínas que devem ser fomentadas, descartando ciúme, ódio, ego e raiva, que são qualidades animais.
Sathya Sai Baba
Pensamento para o Dia 02/06/2011 na Organização Sri Sathya Sai no Brasil

Vários modelos religiosos de pensamento propõe que é necessidade do ser humano preocupar-se com valores morais, sendo estes mais importantes que os valores intelectuais.

A doutrina espírita nos propõe o desenvolvimento intelectual como via de capacitação do espírito para o desenvolvimento do senso moral, meta de todo espírito e única via para a construção da felicidade plena.

A partir da citação de Sai Baba e seguindo esta linha de pensamento, fiquei com a impressão de que ainda temos muito a caminhar até mesmo para começarmos a priorizar os valores corretos.

Não sei se você concorda, mas tenho a impressão de que ainda vivemos um período de super valorização do conhecimento intelectual e desvalorização dos princípios morais. Parece que muitas academias sequer oferecem o pensamento sobre os aspectos morais e éticos e, quando o fazem, fazem de forma superficial.

Vejo escolas prepararem seus alunos para o mundo da competição, oferecendo conhecimentos nas áreas de ciências exatas, humanas, biológicas, mas muito pouco se fala do indivíduo, de suas relações, dos valores éticos.

Aqui no Brasil nós nem nos preocupamos, pelo menos nas escolas públicas, em ensinar aspectos simples da vida de qualquer cidadão, quais sejam a cidadania, a preocupação com os valores coletivos, a valorização do exercício político consciente, entre tantos outros.

Olho para mim mesmo e sinto uma enorme lacuna neste sentido, lacuna que é, em parte, suprida pela educação religiosa oferecida pela casa espírita, que me convida diariamente a refletir, estudar, associar idéias, estabelecer ilações e tomar decisões sobre o meu posicionamento no mundo.

Fiquei pensando como é que as religiões estão se posicionando neste sentido. Será que as instituições religiosas estão cumprindo este papel de fomentar o desenvolvimento de valores morais? Será que estão agindo de forma libertadora para com os indivíduos apresentando-lhe modelos de pensamento em que o sujeito precisa assumir os rumos de sua própria vida para construir a sua felicidade? Ou o estão aprisionando em um conjunto de idéias fechado e que causa diversos conflitos com o que se faz na sociedade atualmente?

E se nem mesmo as religiões estiverem cumprindo seu papel de educação moral? Qual a instituição está cumprindo este papel?