segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A missão do espiritismo

A nossos olhos, a missão real do Espiritismo não é somente esclarecer as inteligências por um conhecimento mais preciso e mais completo das leis físicas do mundo; tal consiste, primacialmente, em desenvolver a vida moral nos homens, a vida moral que o materialismo e o sensualismo têm amesquinhado muito. Levantar os caracteres e fortificar as consciências, tal é o papel do Espiritismo. Sob esse ponto de vista, pode ser remédio eficaz aos males que assediam a sociedade contemporânea, remédio a esse acréscimo inaudito do egoísmo e das paixões, que nos arrastam aos abismos. Julgamos dever exprimir aqui nossa inteira convicção: não é fazendo do Espiritismo somente uma ciência positiva, experimental; não é eliminando nele o que há de elevado, o que atrai o pensamento acima dos horizontes estreitos, isto é, a idéia de Deus, o uso da prece, que se facilitará a sua missão; ao contrário, concorrer-se-ia para tornar estéril, sem ação sobre o progresso das massas. Denis, Léon; O grande Enigma; Feb; A idéia de Deus e a experimentação psíquica; pp 84, 85

O Mal não existe

Não há dois princípios no mundo: o Bm e o Mal. O Mal é feito de contraste, qual a noite é do dia. Não tem existência própria. O Mal é o estado de inferioridade e de ignorância do ser em caminho de evolução. Os primeiros degraus da escada imensa representam o que se chama o mal; mas, à medida que o ser se eleva, realiza o bem em si e em torno de si – o mal vai atenuando-se, e depois se desvanece. O mal é a ausência do bem. Se parece dominar ainda em nosso planeta, é porque este é um dos primeiros anéis da cadeia, morada de Almas elementares que estréiam na rude senda do conhecimento, ou, então, de Almas culpadas, em rumo de reparação. Nos mundos mais adiantados, o Bem se expande e, de grau em grau, acaba reinando sem partilhaDenis, Léon; O grande Enigma; Feb; As leis universais; pp 80, 81

Poema Divino

O Universo é um poema sublime do qual começamos a soletrar o primeiro canto. Apenas discernimos algumas notas, alguns murmúrios longínquos e enfraquecidos! Já essas primeiras letras do maravilhoso alfabeto musical nos enchem de entusiasmo. Que será quando, tornados mais dignos de interpretar a divina linguagem, percebermos, compreendermos as grandes harmonias do Espaço, o acorde infinito na variedade infinita, o canto modulado por esses milhões de astros que, na diversidade prodigiosa de seus volumes e de seus movimentos, afinam suas vibrações por uma simpatia eterna?

Perguntar-se-á, porém: Que diz, essa música celeste, esa voz dos céus profundos?

Essa linguagem ritmada é o Verbo por excelência, aquele pelo qual todos os mundos e todos os seres superiores se comunicam entre si, chamam-se através das distâncias; pelo qual nos comunicaremos um dia com as outras famílias humanas que povoam o Espaço estrelado.

É o princípio mesmo das vibrações que servem para traduzir o pensamento, a telegrafia universal, veículo da idéia em todas as regiões do Universo, linguagem das almas elevadas, entretendo-se de um astro a outro com suas obras comuns, com o fim a atingir, com os progressos a realizar.

É ainda um hino que os mundos cantam a Deus, ora cântico de alegria, de adoração, ora de lamentação e de prece; é a grande voz das coisas, o grito de amor que sobe eternamente para a inteligência ordenadora dos universos.Denis, Léon; O grande Enigma; Feb; As harmonias do Espaço; pp 60, 61

Respirando Deus

Nas almas evolvidas, o sentimento da solidariedade torna-se bastante intenso para transformar em comunhão perpétua com todos os seres e com Deus.

A alma pura comunga com a Natureza inteira; inebria-se nos esplendores da Criação infinita. Tudo: os astros do céu, as flores do prado, a canção do regato, a variedade de paisagens terrestres, os horizontes fugitivos do mar, a serenidade dos espaços, tudo lhe fala uma linguagem harmoniosa. Em todas esas coisas visíveis, a Alma atenta descobre a manifestação do pensamento invisível que cobre o Cosmos. Este reveste para ela um aspecto encantador. Torna-se o teatro da vida e da comunhão universais, comunhão dos seres uns com os outros e de todos os seres com Deus, seu pai.

Não há distância entre as almas que se amam, porque se comunicam através da extensão.

O Universo é animado de vida potente: vibra qual uma harpa sob a ação divina. As irradiações do pensamento o percorrem em todos os sentidos e transmitem mensagens de Espírito a Espírito, através do espaço. Esse Universo que Deus povoou de Inteligências, a fim de que o conheçam e o amem e cumpram a sua Lei, Ele o enche de sua presença, ilumina-o com a sua luz, aquece-o com o amor.Denis, Léon; O grande Enigma; Feb; Solidariedade; comunhão universal; pp 44, 45