sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eu posso mais

Ainda mesmo que te sintas em lugar impróprio às tuas aptidões e mesmos que as tuas atividades pareçam sem qualquer importância, lembra-te que a lei do Senhor te coloca presentemente na condição em que podes produzir e aprender com mais segurança.
Emmanuel

Quando comecei a dedicar-me ao estudo da doutrina espírita tinha a impressão de que, pelo volume de literatura disponível, seria impossível conseguir assimilar todos os conceitos disponíveis, mas não desanimei e segui o ritmo que me era possível, mergulhado nas atividades de estudo e de assistência ao próximo. Conforme o tempo passou comecei a perceber que a doutrina espírita é algo simples; existem poucos conceitos que nos apoiam a viver e a construir a felicidade para nós e para aqueles que estão à nossa volta.

O grande volume de obras espíritas dá-se pela nossa dificuldade em perceber o simples e de vivenciá-lo. Estamos em constante contato com o plano espiritual e investimos bastante tempo estudando, refletindo e publicando livros em um laboratório para conseguirmos compreender a realidade e transformarmos nossas ações, sentimentos e pensamentos a fim de atingirmos estados mais amplos de consciência a cerca de nós mesmo e sermos felizes.

Quando Emmanuel nos convoca a olhar para o sentimento de inadequação ante a uma determinada situação da vida e nos recorda que aquela situação caracteriza um ambiente seguro de trabalho e aprendizado espiritual está, na realidade, remetendo-nos aos princípios essenciais da doutrina espírita.

Tudo o que existe foi criado através de atos de amor por uma potencia infinitamente boa e justa que a tudo e a todos coordena.

Somos espíritos imortais criados desconhecedores a cerca de nós mesmos e da realidade que nos cerca e estamos destinados à felicidade que será atingida através de uma série de vivências de aprendizado organizadas por leis comuns a todos e que regulam toda a criação fazendo valer a vontade do criador.

Nossa realidade é a espiritual, da qual conseguimos informações através da mediunidade que nos possibilita estabelecer uma ponte entre o plano dos encarnados e o dos desencarnados.

Quando pensamos na informação trazida por Emmanuel a partir destes princípios, somos forçados a aceitar o fato de que ninguém está inserido em uma situação de vida por engano e que através desta vivência será possível recolher preciosos aprendizados sobre a criação, fato que nos possibilita significarmos a nossa existência e a do nosso entorno.

É interessante perceber que Emmanuel aborda o sentimento de inadequação devido à aparente inutilidade do que fazemos, mas podemos ampliar esta ideia a todos as situações, uma vez que estamos sempre convidados ao progresso espiritual através de oportunidades encarnatórias.

Se nos sentimos constrangidos pela dificuldade em realizar as nossas tarefas, se não conseguimos aprender com a rapidez e a eficiência que desejamos, se não conseguimos “estabilizar“ o ambiente à nossa volta e nos encontramos em constante movimento de transformação ou mesmo se estamos em um marasmo em que nada ao nosso entorno parece mudar; estamos convidados a observar, vivenciar, refletir, transformar e aprender.

Não há situação em que estejamos que não tenha o objetivo de nos oferecer um aprendizado sobre a vida, esta é uma importante informação que a doutrina espírita nos oferece. Não há situação que seja injusta ou inadequada às nossas necessidades.

Quando temos o sentimento de inadequação frente à nossa vida, talvez não estejamos olhando-a pela ótica correta ou talvez não estejamos sendo capazes de nos abrirmos para o aprendizado espiritual.

Este sentimento não significa que devamos simplesmente aceitar o que nos é oferecido e vivermos a vida como é possível. Significa que algo em nossa forma de ver, de agir e de sentir deve ser transformado. Talvez estejamos sendo convidados a reformular a vida e a buscarmos novos desafios, talvez estejamos sendo convocados a trabalharmos a resignação ante o que não pode ser mudado. Não há como saber qual o objetivo, uma vez que este espelha uma necessidade individual e pode prestar-se a diversos aprendizados distintos.

Recordando-me da lição “A desgraça real”, contida em O evangelho segundo o espiritismo de Allan Kardec, complementaria ainda a reflexão com a informação trazida pelos espíritos a cerca das situações de aparente desgraça ou de aparente bonança. Não é o fato que importa, mas sim o que fazemos a partir dele que importa para a caminhada do espírito.

Procuremos então sentir em nossas entranhas o que o universo quer nos dizer ao nos sentirmos inadequados ante uma situação vivida. Precisamos modificar as lentes de ver, sentir e agir e temos em nossas mãos todas as ferramentas de que necessitamos para isso.

Vamos aprender a ser espíritos imortais filhos de Deus!

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Eu posso mais de C. Guilherme Fraenkel é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Compartilhamento pela mesma licença 3.0 Brasil.
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Este artigo faz parte do projeto Reflexão Diária que iniciou-se em 05/01/2011 a partir de um presente que ganhei em 2010, uma caixinha cheia de citações (veja o artigo "O importante não é a etiqueta" para mais detalhes)

Você poderá acompanhar todas as citações e reflexões publicadas no WebEspiritismo usando o Marcador “Reflexão diária”. A lista de Marcadores usados está disponível na coluna lateral do blog sob o título “Marcadores”

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