segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ser feliz ou atender à vontade de Deus?

Outro dia conversava com alguns amigos sobre a nossa perspectiva ocidental de felicidade e sobre como colocamos grande expectativa a cerca dela, chegando a nortearmos nossas vidas para garantí-la, mesmo que depois de algumas encarnações...

Percebemos que é um pensamento comum modificarmos hábitos, pensamentos e sentimentos visando a construção de uma condição feliz de vida espiritual, ou seja, é comum nos movermos pela vida com vistas à recompensa máxima, a felicidade plena de que tantas religiões nos falam.

Recentemente fazendo uma leitura sobre os ensinamentos contidos em O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec sobre o dever moral me ocorreu que talvez estejamos com o foco equivocado. Será que nosso alvo deve ser realmente a felicidade?

Quando leio a história de Jesus ou estudo sobre o Homem de Bem em O Livro dos Espíritos, também de Allan Kardec, fico com a impressão de que o movimento sugerido para a jornada de construção ética do indivíduo enquanto espírito imortal não é o desejo de ser feliz, mas o desejo sincero de atender à determinação de nosso criador, ou seja, o cumprimento integral do dever moral, brilhantemente resumido por Jesus em “Amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo”.

Esta impressão se fortalece quando me deparo com frases comumente usadas em nosso meio espírita, como “sofre pois foi contra a lei de Deus”, “quem se afasta da lei de Deus assume compromissos que precisam ser resgatados”, “sofre porque se afastou da lei de deus”, “está construindo a felicidade pois está se esforçando para perdoar”...

Hoje recebi por email um pensamento de Sathya Sai Baba que sugere a mesma linha de pensamento a cerca de nosso posicionamento

“Realize a ação sem ansiar pelos resultados. Não reclame por não obter reconhecimento público pelas doações que você fez a alguma Instituição. Os frutos da ação, sejam bons ou ruins, devem ser totalmente consumidos por você e apenas você. A melhor forma de libertar-se das consequências de suas ações é realizá-las apenas por causa da ação. Então, você não será oprimido, nem por pecado, nem mérito. Se você ambiciona por lucro, você deve estar preparado para também aceitar a perda. Se você construir um poço onde quatro estradas se encontram, esperando adquirir o mérito por satisfazer a sede de homens e gado, você não pode fugir do demérito que lhe será creditado quando alguém cair dentro dele e se afogar. O segredo para uma vida feliz é desistir do desejo pelo fruto da ação (Karma-phala-thyaga).”
Sathya Sai Baba
Pensamento para o Dia 28/11/2011 no SaiWeb Brasil (http://www.sathyasai.org.br/saiweb/)

Talvez ainda não tenhamos maturidade espiritual suficiente para modificarmo-nos profundamente a partir da premissa de que devemos cumprir a vontade de Deus e precisemos nos esforçar para cumprí-la porque seremos recompensados com um estado de felicidade e plenitude espiritual indescritível.

Parece-me, entretanto, instigante perceber que teremos que ajustar nossos objetivos em algum momento. Quem sabe nossa entrada em um mundo de regeneração, mundo em que não se faz mais a opção pelo mal e em que todos buscam o progresso espiritual, não dependa desta mudança de ponto de vista?

Grande abraço a todos e uma ótima semana.

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