domingo, 10 de novembro de 2013

No quadro real

“Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os aborreceu, porque não são do mundo, assim como eu do mundo não sou.”
– Jesus (João, 17:14)

Aprendizes do Evangelho, à espera de facilidades humanas, constituirão sempre assembléias do engano voluntário.

O Senhor não prometeu aos companheiros senão continuado esforço contra as sombras até a vitória final do bem.

O cristão não é flor de ornamento para igrejas isoladas. É “sal da Terra”, força de preservação dos princípios divinos no santuário do mundo inteiro.

A palavra de Jesus, nesse particular, não padece qualquer dúvida.

“Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Amai vossos inimigos.
Orai pelos que vos perseguem e caluniam.
Bendizei os que vos maldizem.
Emprestai sem nada esperardes.
Não julgueis para não serdes julgados.
Entre vós, o maior seja servo de todos.
Buscai a porta estreita.
Eis que vos envio como ovelhas ao meio dos lobos.
No mundo, tereis tribulações.”

Mediante afirmativas tão claras, é impossível aguardar em Cristo um doador de vida fácil. Ninguém se aproxime d’Ele sem o desejo sincero de aprender a melhorar-se. Se Cristianismo é esperança sublime, amor celeste e fé restauradora, é também trabalho, sacrifício, aperfeiçoamento incessante.

Comprovando suas lições divinas, o Mestre Supremo viveu servindo e morreu na cruz.

Extraído do livro “CAMINHO, VERDADE E VIDA”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, editado pela Federação Espírita Brasileira – FEB, 1ª edição especial, da pág. 354 e 355.


Ao ler este texto recordei-me do relato trazido no livro Primícias do Reino sobre o desenrolar a história do mancebo rico.

Narra Amélia Rodrigues que o jovem sofria com questionamentos internos intensos. Sentia-se vazio e por isso procurou o Cristo. Ao questionar o que deveria fazer para assegurar a paz de espírito o Cristo recomenda que doe seus bens e siga-o.

O jovem balança e, preso aos compromissos do mundo material, desiste, preferindo seguir com seu vazio pesado.

Nos dias que seguem participa de uma corrida de bigas e vem a falecer. Já desencarnado reencontra o Cristo e compreende o convide do Cristo. Decide então segui-lo.

Há enorme dificuldade de compreendermos a dimensão espiritual de nossas vidas e a dimensão espiritualizante de nossas oportunidades encarnatórias.

Há ainda uma enorme discrepância entre as práticas da vida material e o exercício espiritual consciente, muito natural, como nos ensina Léon Denis em O Grande Enigma.

Temos muito a desenvolver e este desenvolvimento ainda requer grande esforço de nossa parte.

Importante, entretanto, é não desanimarmos na caminhada. Já temos a percepção de que estamos inseridos em um longo e intensamente organizado processo pedagógico que nos levará à felicidade plena.

Nada nos acontece por acaso e mesmo as dificuldades, erros e problemas estão previstos na caminhada. Graças a Deus contamos com a infinita misericórdia divina.

Cabe a nós agora percebermos que este enorme esforço demandado é, na verdade, a forma mais eficiente de construirmos nossa felicidade.

O esforço é grande sob a ótica material, mas está na medida certa sob a ótica espiritual e é o melhor que já conseguimos. Reduzi-lo significa prorrogar sem necessidade a nossa jornada em estágios menos felizes da vida.

Tenhamos força para tomar sempre as decisões certas na jornada de espiritualização.

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